Em outras épocas, comprar sal era uma tarefa simples que não gerava dúvidas. Mas a atual oferta de diferentes tipos complicou um pouco a nossa escolha. São várias opções: Sal de cozinha, sal marinho, sal rosa do Himalaia, sal de ervas, sal light, flor de sal, sal negro… Como escolher o melhor?  

Primeiramente vamos entender como o sal atua no nosso organismo e quais os riscos do excesso na nossa alimentação.

Quando uma pessoa é diagnosticada com hipertensão a primeira conduta tomada pelos médicos é a redução do consumo de sal. Por que? O sal que normalmente usamos é formado principalmente por cloreto de sódio e é exatamente o sódio que exerce papel no controle do volume de água no nosso corpo. Quando ingerimos alimentos salgados, a quantidade de sódio no sangue aumenta e o sódio “atrai” água. Assim, o volume de sangue aumenta. Para uma pessoa com hipertensão, isso não é bom, pois o coração vai ter que fazer mais força para bombear esse volume maior de sangue.

A recomendação da organização Mundial de Saúde – OMS – para ingestão diária de sódio é de 2 gramas, o equivalente a 5 gramas de sal (uma colher de café). Isso porque esse mineral exerce várias outras funções vitais, inclusive a condução de impulsos dos neurônios (células nervosas).

No entanto, o consumo médio do brasileiro é de 12 gramas de sal por dia, ou seja, mais do que o dobro do que é recomendado. Esse exagero traz consequências para nossa saúde. Além da hipertensão, o excesso de sal na alimentação está ligado ao aumento no risco de doenças cardiovasculares e renais.

Vamos agora entender os vários tipos de sal.

 

Sal de cozinha

O sal mais comumente usado. Ele passa por um processo de refinamento no qual é retirada a maioria dos seus minerais, deixando apenas o sódio e o cloreto. Além disso, são acrescentados produtos químicos para seu branqueamento e aditivos para impedir que o sal se dissolva durante o armazenamento. Portanto, é um sal menos rico em nutrientes e menos puro.

Sal marinho

O sal marinho é um produto mais puro que o sal de cozinha comum, pois não passa por processos de refinamento, por isso, além do sódio, fornece uma quantidade maior de outros minerais.

 

Sal de ervas

Pensando em diminuir o consumo do sódio, um dos substitutos do sal de cozinha recomendados pelos profissionais de saúde é o “sal de ervas”. É uma preparação que consiste em processar partes iguais de sal junto com ervas aromáticas desidratadas (como orégano, manjericão, alecrim e tomilho). Essa mistura ajuda a temperar a comida sem ter que adicionar tanto sal.

 

Sal light

O sal light é feito com 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio, diminuindo assim o teor de sódio. Este sal não é aconselhável para pessoas com problemas renais,  que  precisam restringir o potássio.

 

Sal rosa do Himalaia

Este vem ganhando cada vez mais popularidade por ser considerado mais saudável. São cristais de sal provenientes das montanhas do Himalaia. A alegação é esses cristais permaneceram milhares de anos cobertos por lava e gelo, ficando protegidos da poluição (diferentemente do sal marinho e do sal de cozinha que estão expostos à poluição do mar). Por isso, o sal rosa é considerado o mais puro. Por ser um cristal não refinado, apresenta uma concentração de minerais (como cálcio, magnésio, potássio e ferro) superior aos demais sais. Portanto ele não é apenas cloreto de sódio. Os tons de rosa característicos indicam o variável teor de ferro. Por causa do maior conteúdo de minerais, o sal rosa auxilia no equilíbrio do volume de água no organismo.

 

Sal negro 

É um tipo de sal vulcânico muito utilizado na Índia e no Paquistão. A cor incomum vem da presença de pequenas partículas de ferro e outros minerais. Tem sabor muito forte devido ao alto teor de enxofre, que lembra gema de ovo cozido. Ele tem baixa concentração de sódio. Na tradição da medicina ayurvédica o sal negro é utilizado como um laxante suave.

 

Flor de sal

Flor de sal é um aglomerado de cristais que se forma na superfície da água do mar. Esses pequenos cristais são recolhidos de forma artesanal e secam ao sol, resultando em cristais mais crocantes. A Flor de Sal não deve ser usada durante o preparo dos alimentos no calor. É recomendado adicioná-la na finalização dos pratos, longe do fogo. Esse delicado cristal salienta o sabor dos pratos, garante crocância e um belo visual. Um luxo culinário. 

 

Independentemente do sal escolhido, lembre-se de que os temperos devem ser usados para salientar o sabor dos alimentos e não para mascará-lo. Use com moderação. O abuso não é bem vindo nem mesmo para as opções mais saudáveis.

 

Até a próxima!!!

Saúde sempre

 

Márcia Hermeto Magalhães Linhares

Nutricionista Clínica Funcional

CRN – 12939