Escolher um leite, uma bebida láctea ou um iogurte atualmente não é tarefa simples. São tantas opções que ficamos em dúvida. E para complicar, entraram em cena as versões No Lac, ou Lac free, sem lactose.

O consumo desses produtos vem aumentando bastante, por vários motivos, seja por necessidade real, por acreditarem que são menos calóricos ou que são melhores para a saúde, ou ainda por impulso e curiosidade, sem entender bem o porquê de estar usando aquele produto.

Nem mocinha, nem vilã, vamos entender o que é a lactose, por que ela faz mal a algumas pessoas e quem precisa evitá-la. Assim, quem sabe fica mais fácil escolher da próxima vez que você for comprar.

 

O leite integral é um alimento que contém os três macronutrientes:

Gordura – é da gordura do leite que é feita a manteiga.

Proteínas – caseína, albumina e globulinas.

Carboidrato – o açúcar do leite – que é a lactose. Ela é um dissacarídeo, ou seja, é formada pela junção de duas moléculas – glicose e galactose (só de curiosidade, a sacarose, que é nosso açúcar de mesa, também é um dissacarídeo formado pela união de glicose e frutose).

A lactose é formada exclusivamente nas glândulas mamárias de mamíferos. Quando nascemos, nosso alimento é o leite materno – pelo menos deveria ser – por isso, produzimos uma enzima que consegue “quebrar” a lactose separando a glicose da galactose. A partir dessa digestão, nosso organismo consegue absorver os nutrientes que foram separados.

Essa enzima que digere a lactose chama-se LACTASE (geralmente, as enzimas têm esse sufixo – ASE – a enzima que digere a proteína, por exemplo, é proteASE). Acontece que com o passar dos anos, nossa capacidade de produzir a lactase vai diminuindo. Pela falta ou diminuição da enzima, a digestão da lactose não ocorre de maneira adequada. Esse carboidrato então não é absorvido e fica a disposição das bactérias que vivem em nosso no intestino. Estas bactérias fermentam a lactose gerando gases que provocam sintomas como distensão abdominal (barriga inchada), dores abdominais e até diarreia – desconfortos que vem sendo muito relatados atualmente. Portanto, quando o organismo não tem mecanismos para fazer a digestão do que foi ingerido, tem-se o que se denomina intolerância, daí: INTOLERÂNCIA À LACTOSE (não confundir com alergia ao leite, isso é outra coisa).

A intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra, dependendo da quantidade de lactose ingerida e da tolerância individual. Por isso, algumas pessoas que se sentem mal ao tomar leite, não tem o mesmo desconforto ao comer queijos e iogurtes. Outras, no entanto, passam mal até com pão de queijo.

Para melhorar os sintomas, a indústria farmacêutica começou a produzir a Enzima Lactase em forma de comprimido. A pessoa toma antes de comer para tentar evitar os sintomas. A indústria alimentícia não ficou atrás – começou a desenvolver produtos isentos de lactose. Hoje eles ocupam prateleiras inteiras nos supermercados.

Até aí tudo bem. Quem tem Intolerância à Lactose, com os sintomas acima, pode realmente se beneficiar ao optar pelos produtos sem lactose. Mas e quem não tem sintomas? Por que consumir esses produtos? Aí é que começa a confusão.

Como a lactose é o açúcar do leite, muitos acreditam que ao ingerir um alimento sem lactose estão diminuindo o consumo de carboidratos. Mas, antes de achar que encontrou a solução do seu problema, abra os olhos e leia o rótulo do produto que você está comprando.

Ao analisar os ingredientes de produtos sem lactose, podemos encontrar a enzima lactase entre eles. É ela que vai quebrar a lactose daquele produto. Ok, ele agora ficou sem lactose. No entanto, os carboidratos resultantes – glicose e galactose – continuam presentes. Isso significa que sem lactose não é igual a sem carboidrato. Assim, esses produtos não vão favorecer sua dieta Low Carb (de baixo consumo de carboidratos), se esse é o seu objetivo.  

Os leites sem lactose geralmente apresentam uma cor mais escura. Isso acontece devido a uma reação causada durante o processamento para degradar o açúcar (Reação de Maillard). Esta reação gera perda na qualidade proteica, destrói outros nutrientes que estavam presentes no leite e pode gerar compostos nada benéficos para nossa saúde. Esses leites são também mais doces exatamente por causa da glicose liberada na quebra .

Deu pra entender? Então porque optar por esses produtos, que geralmente são mais caros, quando não se tem Intolerância à lactose?

Uma dica: comece a ler os rótulos dos produtos que você consome. E, se continuar com dúvidas, procure um profissional que possa te ajudar a diferenciar o que é “moda” do que é ciência.

 

Até a próxima.

Saúde sempre!!!

 

Márcia Hermeto – Nutricionista

CRN – 12939

 

 

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REFERÊNCIAS:

  1. O leite e seus derivados: http://www.cca.ufscar.br/~vico/O%20LEITE%20E%20SEUS%20DERIVADOS.pdf
  2. Reação de Maillard http://bromatopesquisas-ufrj.blogspot.com.br/2013/08/leite-itambe-no-lac-alerta-para-uma_13.html